Diversas pessoas seguidoras da ideia Anonymous tiraram suas máscaras para serem entrevistadas. Há os que já passaram pela prisão, os que se dizem afastados das atividades ilegais e os que revelam só seus nomes de guerra.
Eles contam histórias de como o grupo foi formado por frequentadores do 4chan, site para livre de , e de como muitos membros investiam ataques em sociais por pura diversão.
A mudança de atitude veio em 2008, quando perceberam o que tinham juntos, ao marcarem protestos em frente aos templos da cientologia em várias cidades do mundo. Cerca de 9.000 pessoas apareceram, para espanto dos organizadores.
O documentário martela a ideia da desobediência civil on-line ao citar precursores do ativismo , como o Cult of the Dead Cow, grupo dos EUA formado nos anos 1980.
E, em especial, por meio das conversas com integrantes do Anonymous presos em julho de 2011 e à espera de julgamento por causa dos ataques contra PayPal, Visa e MasterCard em 2010, em represália ao corte de serviços ao site Wikileaks.
PACIÊNCIA
Foi com muita paciência que o diretor Brian Knappenberger frequentou salas de bate-papo usadas pelos integrantes do Anonymous, durante um ano, tentando ganhar a confiança de alguns para filmar seu documentário “We Are Legion”.
“Quando você fala com gente que esconde a identidade, é um desafio saber o que está por trás. É preciso calma. Um deles disse que me conhecia, e até hoje não tenho ideia de quem era”, contou o também jornalista de 41 anos, que lidera a produtora Luminant, em Los Angeles, colaboradora dos e Bloomberg Television.
Entre os que tiram a máscara para falar do grupo está Fein, associado ao Anonymous e ao grupo Telecomix nas contra governos da Tunísia e do Egito no ano passado, no auge da Primavera Árabe.
“Já nos chamaram de simpatizantes de terroristas, crianças, cyberbullies, hooligans. Às vezes esses termos não são totalmente errados, mas este é, , um movimento político sério”, afirma Fein durante o longa.
Mercedes Haefer é a única mulher do Anonymous a dar as caras no . Ela conta como, em 2010, foi tirada de casa às 6h, ainda de pijama, por agentes do FBI com coletes à prova de bala. O motivo? O ataque ao site do PayPal.
Agora em liberdade, ela tem participado de audiências para o julgamento, que deve durar até um ano, segundo seu advogado, Stanley Cohen. “O caso dela não envolve roubo de identidade, invasão de , fechamento de empresas. (…) É um caso puro de manifestação pacífica”, afirma.
Outro desmascarado é Brian Mettenbrink, que em 2010 pegou um ano de prisão e multa de US$ 200 mil pelos ataques on-line da contra a cientologia. “Não me arrependo, foi uma causa nobre”, diz Mettenbrink no filme, ao lado da mãe. “Estava fazendo a . E nem precisava sair de casa!”
CANHÃO DIGITAL
Ele usou a ferramenta mais do Anonymous, o programa Low Orbit Ion Cannon, que opera coletivamente e de forma bastante simples, sobrecarregando o site-alvo para tirá-lo do ar.
“É uma arma poderosa, mas existem outras mais sofisticadas. A vasta maioria dos membros do Anonymous não tem grandes habilidades de hacking, é uma coisa difícil de aprender”, explicou o diretor Knappenberger.
Entre as polêmicas do grupo, está a criação recente de uma versão desse programa que inicia o ataque sem o usuário saber. Outra prática comum questionada é a divulgação de informações de internautas, como de , para provar a fragilidade de sistemas.
“Eles fazem isso de forma barulhenta, pública, é uma provocação. É diferente dos hackers que invadem para roubar e fazem isso silenciosamente”, defende Brian.
Alguns ataques chegaram a reunir 10 mil pessoas, mas só de 200 a 300 costumam frequentar salas de bate-papo em períodos calmos.
“Sem dúvida, o movimento não está enfraquecendo”, disse. “Há uma discussão entre eles, brigam muito sobre o que fazer, que tipo de ataques são apropriados. O Anonymous nunca é unânime.”
“Sem dúvida, o movimento não está enfraquecendo”, disse. “Há uma discussão forte entre eles, brigam muito sobre o que fazer, que tipo de ataques são apropriados. O Anonymous nunca é unânime.”
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